Filme pornô para mulheres

O sexo nos filmes pornográficos para mulheres têm mais preliminares





A pornografia sempre foi muito mais presente no universo masculino do que no feminino. A maioria dos conteúdos é voltada para o olhar e o desejo dos homens. Mas depois de décadas de domínio machista esse cenário está mudando. O interesse das mulheres por pornografia vem crescendo e a prova disso é que já existem até cineastas produzindo filmes feitos especialmente para excitar o público feminino.

Algumas mulheres resolveram assumir o trabalho atrás das câmeras e investir em produções que traduzissem melhor o prazer e as fantasias femininas. Uma delas é Erika Lust, cineasta sueca, radicada em Barcelona, na Espanha, que decidiu fazer filmes eróticos motivada por suas próprias necessidades. "Senti que minha visão sobre o sexo e meus desejos não estavam sendo representados na maioria dos pornôs disponíveis. Resolvi fazer o tipo de filme erótico que eu queria ver", conta. "Lust" significa luxúria em inglês.




Esse movimento que coloca a mulher no foco do prazer está sendo chamado de "feminist porn" (pornô feminista, em tradução literal). Nesse tipo de produção cinematográfica, o sexo também é explícito, porém outros aspectos são mais valorizados, como a história, o cenário e a iluminação. As atrizes costumam ter corpos mais imperfeitos e realísticos, com menos silicone e mais celulite, o que também ajuda a gerar maior identificação entre as mulheres.

Apesar do surgimento dessa vertente alternativa, gostar de pornografia é ainda tabu para muitas mulheres. Além disso, as preferências costumam ser bem diferentes entre os gêneros.



Segundo a ginecologista e sexóloga Carolina Ambrogini, coordenadora do Ambulatório de Sexualidade Feminina Escola Paulista de Medicina (da Unifesp), a pornografia masculina é basicamente genital, ou seja, centrada nos closes e nas cenas sexuais, o que, em geral, não agrada às mulheres. "Elas gostam de uma pornografia mais elaborada, com enredo".

A sexóloga afirma que algumas mulheres têm um sentimento de rejeição à pornografia porque não se permitem conhecer e experimentar. "É uma questão de descoberta. Se forem ver sem preconceito, dispostas a analisar seus sentimentos e suas sensações, muitas podem gostar", explica.

Carolina indica com frequência o consumo de pornografia, inclusive os pornôs feitos para mulheres, para suas pacientes com disfunções sexuais. "Acho legal, por exemplo, o casal assinar um canal erótico para assistir junto. É muito positivo porque é algo que faz pensar em sexo, aumenta a excitação. Também recomendo muito os contos eróticos".


A estudante de Direito Nathalí Macedo assume que consome pornografia, porém diz que não gosta de assistir aos filmes convencionais, produzidos para o público masculino


AS PARTICULARIDADES DO "PORNÔ FEMINISTA"

A cineasta Erika Lust começou a fazer filmes pornográficos voltados para mulheres em 2004. Mas ela conta que recebe muitos elogios de homens e casais sobre o seu trabalho. Ela explica um pouco mais sobre as diferenças entre o pornô masculino e o feminino.

O que é o pornô feminista?
A principal diferença diz respeito ao fato de as mulheres envolvidas no filme serem ou não agentes do seu próprio prazer sexual. O filme feminista mostra a mulher realmente recebendo prazer, ao passo que o filme convencional mostra a mulher como veículo para o prazer do homem. Olhe para os seus rostos, para as posições em que elas estão. Será que ela teve um orgasmo?



O que você mostra e o que não mostra em seus filmes?
Como regra geral, filmo o que pessoalmente acho sexy. Entre as coisas menos sexy para mim estão a violência, as ejaculações e o sexo anal, três coisas que são quase garantidas no pornô convencional. Não é que não vejo a possibilidade de essas coisas serem incrivelmente estimulantes, apenas pessoalmente não encaro dessa maneira e quero permanecer fiel à minha visão de sexualidade.

Muitas pessoas acham que as mulheres não são tão visuais quanto os homens. E você?
Muitas pessoas pensam isso, mas eu, não. Para mim e para muitas mulheres, o fato é que o visual por si só não excita. As lembranças de experiências pessoais, fantasias, o ambiente, o contexto: tudo isso é muito importante. Mulheres como eu gostam de se identificar com o que estão vendo, o que simplesmente não é possível nos filmes comerciais ruins que nós associamos à pornografia.





Na internet

Ainda há poucas pesquisas sobre os comportamentos sexuais femininos relacionados à pornografia. Por essa razão, a psicóloga Ana Alexandra Carvalheira, professora e investigadora do ISPA (Instituto Universitário de Ciências Psicológicas, Sociais e da Vida), de Lisboa, em Portugal, resolveu conduzir um estudo exploratório sobre o consumo de pornografia pela internet com 216 mulheres portuguesas. Entre essas, 57% disseram já ter visitado sites pornográficos e 7% gastam mais de seis horas por semana nessa atividade.

"Esse estudo serviu para perceber que as mulheres cada vez mais consomem pornografia, com intuitos bastante diversificados", afirma a pesquisadora. Ana Carvalheira acredita que o anonimato e a disponibilidade de conteúdos que a internet proporciona facilitaram o acesso da mulher à pornografia. "Antigamente era tudo mais escondido, existiam seções separadas nas locadoras, onde só se viam homens".



Apesar da facilidade de acesso, nem sempre é natural para as mulheres admitirem que também veem pornô. Não é o caso da estudante de Direito Nathalí Macedo, moradora de Alagoinhas, na Bahia, que afirma ter uma relação muito saudável com o sexo e reconhece sem problemas que consome pornografia. Entretanto, Nathalí sabe que não é assim tão simples para todas. "Muitas mulheres têm vergonha de assumir que gostam de ver pornô. Digo isso porque tenho amigas que assistem escondidas de seus companheiros".

A estudante também escreve contos eróticos em uma comunidade no Facebook e colabora com um blog de sexo. Mesmo sendo "cabeça aberta" para o tema, Nathalí não costuma assistir aos filmes pornográficos convencionais, por achá-los muito previsíveis e pouco excitantes.

Com clima quente, sexo rola mesmo com a mulher menstruada

As entrevistadas concordaram que quando o clima com o parceiro esquenta a menstruação deixa de ser uma desculpa para o sexo acontecer .



Não é por causa do sangue que o prazer é menor, pelo contrário, para H. O., a relação é muito prazerosa e ela dificilmente recusa.

O que não pode acontecer?
A menstruação pode servir de desculpa para evitar o sexo para uma em cada sete mulheres, segundo pesquisa virtual feita pela Panadol. Já outro estudo, realizado pela Universidade de Lethbridge, afirma que o período menstural estimula o desejo na cama e o público feminino tem mais fantasias sexuais nesta época do mês. Algumas mulheres têm nojo só de pensar em fazer sexo durante a menstruação, outras contam que sentem mais prazer. Mas o consenso entre as entrevistadas pelo Terra é que, quando o clima com o parceiro esquenta, o período deixa de ser uma desculpa para o sexo acontecer.



“Toparia e já topei diversas vezes”, disse a empresária F. A. Ela contou que o marido “acha nojento”, mas “tem horas que o clima esquenta e não tem como escapar”, disse. No caso da publicitária T.R., é ela que acha anti-higiênico transar quando está menstruada: “suja a roupa de cama e me traz certo incômodo”. No entanto, se a proposta acontecer no início ou final do período, quando o fluxo não é tão intenso, ela aceita. A estratégia da jornalista E. L. é transar durante o banho para evitar sujeira. “Se não der, vale forrar a cama com uma toalha escura”, sugeriu.


E não é por causa do sangue que o prazer é menor, pelo contrário. Para a empresária H. O., a relação “é muito prazerosa” e ela dificilmente recusa. “Em um relacionamento sério, quando existe vontade, não importa estar menstruada ou não”, reforçou. Mas a regra do vale-tudo entre quatro paredes em relação à menstruação, só se aplica para casais que tenham intimidade e confiança, segundo as entrevistadas. “Preciso me sentir confortável com a pessoa que está ao meu lado”, afirmou a assessora de eventos C. C. "Caso contrário, pode haver constrangimento para uma das partes", alertou F. A.



O diálogo antes de começar a se despir é fundamental, na opinião de C. C. A mulher deve avisar que está menstruada, o homem expressar se quer prosseguir ou não e os dois decidirem a melhor forma para fazer o sexo. Uma opção, indicada por T.R., é satisfazer a vontade sem a penetração. Mas, segundo C. C., os homens não costumam se importar com a menstruação quando o prazer está em jogo.  E. L. dividiu duas possíveis reações masculinas: não se importar e não apreciar. De qualquer forma, para ela, no fim, todos topam.

Como proceder
A primeira dica é de E. L.: “é bom evitar o primeiro e segundo dias de fluxo, pois há coágulo e fica desagradável”. As preliminares são fundamentais para que a mulher pense em deixar de lado todos os obstáculos para ter um momento quente com o parceiro, segundo T. R. “O homem deve dizer que o mais importante é o carinho e amor entre os dois e perguntar a melhor forma para fazer o sexo”, disse E. L.



O que não pode acontecer? “Fazer cara de nojo ou demonstrar isso”, responderam T. R. e F. A. Se o homem abomina a ideia de te relações com uma mulher menstruada, deixar transparecer o sentimento só trará constrangimento à parceira, segundo as entrevistadas. “Ele deve dizer que a quer tanto, mas tanto, que pode esperar o momento certo e mais confortável para os dois”, aconselhou E.L.

Filmes, fetiches e erotismo que rolam a dois...




Entrevistou mulheres para saber o que elas imaginam na hora do sexo.  Sr. e Sra. Smith. É uma em que eles brigam, mas no ápice da situação, largam as armas e se beijam", contou a assistente de link building Kelly Gardini.


Os contos de sedução, sadomasoquismo, sexo e prazer vividos pelos personagens Anastasia Steele e Christian Grey no livro 50 Tons de Cinza, por exemplo, se tornaram fetiche para Sirlene:
A estudante de gestão de Moda Karina Oliveira, já viveu uma experiência em que a imaginação correu solta:



Strip-tease, posições novas, fantasias eróticas e lugares inusitados podem compor um cenário diferente e dar gás para a vida sexual do casal, de acordo com as entrevistadas.

A preparação para uma noite de prazer não deve partir apenas do sexo feminino. Segundo elas, eles também devem entrar na trama. Após fazer strip-tease para o parceiro, Sirlene combinou que na próxima vez ela será a expectadora.


Para a jornalista Laís Montagnana, ter relações sexuais em locais inusitados e se conectar com o parceiro ajudam na vida sexual do casal.

Por que as revistas eróticas e filmes pornôs costumam fazer mais sucesso entre os homens? Eles são mais práticos do que elas, e geralmente usam mais imagem do que a imaginação. Já com o público feminino, o pensamento pode ir longe e o momento entre quatro paredes se tornar a cena de um filme romântico ou de ação. “Eu gosto de imaginar uma cena do filme Sr. e Sra. Smith. É uma em que eles brigam, mas no ápice da situação, largam as armas e se beijam”, contou a assistente de link building Kelly Gardin.



“É claro que eu não vou apontar uma arma para o meu namorado só pelo fetiche do filme, mas gosto de uma briguinha falsa para ele ter motivos para usar um pouco mais de força comigo”, completou. “Na maioria das mulheres, o que conta é o sentimento e não importa o visual. Os homens se excitam com o visual, só a imagem basta”, disse a vendedora e dona do blog CosmetcSexy Sirlene Matesco. Segundo ela, se apegar ao romance e imaginar uma boa história de amor são pontos estimulantes.

Criar todo o ambiente de fantasia pode parecer pura chatice e enrolação para o público masculino, já que o objetivo final, o coito, é adiado. No entanto, a experiência fora da rotina pode valer à pena e proporcionar ainda mais satisfação. Os contos de sedução, sadomasoquismo, sexo e prazer vividos pelos personagens Anastasia Steele e Christian Grey no livro 50 Tons de Cinza, por exemplo, se tornaram fetiche para Sirlene: “instiga muita curiosidade”. E é provável que sexo selvagem não esteja na lista de restrições da maioria dos homens.



A estudante de gestão de Moda Karina Oliveira, já viveu uma experiência em que a imaginação correu solta: “me fantasiei, foi incrível, ficamos à flor da pele e já está na minha listinha do que quero fazer novamente”. “O erotismo está na imaginação e, sem isso, o sexo fica muito automático. As mulheres são mais sensíveis e emocionais e precisam criar um contexto de envolvimento para se excitar e chegar ao orgasmo”, declarou Kelly.



Fantasias sem script
Nos momentos a dois, não haverá um diretor para corrigir cenas e interpretações, tudo é livre. As entrevistadas pelo Terra disseram que o objetivo não é se prender a um estigma ou personagem, mas deixar a imaginação conduzir o sexo. Sirlene contou que fazer as próprias cenas é ótimo. “Queremos sair daquela rotina, sabe? Mostrar que somos ousadas!”, explicou Karina.

Striptease, posições novas, fantasias eróticas e lugares inusitados podem compor um cenário diferente e dar gás para a vida sexual do casal, de acordo com as entrevistadas. A imaginação da mulher começa a trabalhar já nos planos de sair com o parceiro. “Se vai ser bom, cenas que podem acontecer, tomamos aquele banho com direito a hidratante e perfume, escolhemos lingerie para impressionar, pensamos na roupa, maquiagem, cabelo e na mensagem que queremos passar”, enumerou Sirlene.



Homem erótico
A preparação para uma noite de prazer não deve partir apenas do sexo feminino. Segundo elas, eles também devem entrar na trama. Após fazer striptease para o parceiro, Sirlene combinou que na próxima vez ela será a expectadora: “já tenho a fantasia dele comprada, do Zorro”. “Um bombeiro me tira o fôlego. Pretendo colocar em prática essa fantasia”, comentou Karina.

Segundo Sirlene, se ela gosta de histórias e ele nem tanto, “acho que os dois podem criar juntos a sua própria, com personagens próprios. O homem que não aceita, não sabe o que perde, quando queremos ser criativas e temos estímulo para soltar a nossa imaginação, eles são os mais beneficiados”.





Um bom motivo para pensar na ideia? “Enquanto o homem fica excitado só pela roupa que a mulher está usando, ela precisa imaginar todo o erotismo e desenvolver aquela ideia para se sentir confortável e segura na hora do sexo. A imaginação é o caminho usado para que a mulher esteja no mesmo nível de excitação do homem na hora H”, disse Kelly.

“No sexo, é importante não ter vergonha e se sentir confortável para dizer o que gosta e como gosta. É compartilhar, às vezes a gente acaba fazendo coisas que nem curte tanto para ver o prazer estampado na cara do outro”, completou Laís. Claro que as mulheres não acham que toda transa deve ser um show. “Às vezes você transa por transar, sem imaginar muita coisa”, concluiu Kelly.